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Livro Luar de Sangue da autora Dione M. S. Rosa

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tratado imortal



Tratado Imortal
Por: Adriano Siqueira


A floresta encobria a claridade do Sol. Fazia tempo que não chovia. Havia apenas pequenos rodamoinhos que apareciam no meio da estrada e carregavam algumas folhas secas.
Um barulho, que crescia, afugentava pequenos animais. Era uma carruagem. Construída com ferro e chumbo, como era comum, para levar pessoas importantes dos reinados vizinhos. Existia um verdadeiro arsenal para proteger as famílias imperiais de ladrões. Por causa do material usado em sua construção, era muito pesada, e para que os cavalos não morressem tentando puxá-la, os engenheiros dos reinos construíram também uma máquina de vapor que se localizava por baixo da carruagem, dando propulsão suficiente para dar velocidade necessária sem dar muito esforço para os cavalos, que eram animais valiosos para qualquer reino e utilizados apenas para transportar a família e os convidados do Império. Os quatro cavalos se mantinham na carruagem como tradição de qualquer reino civilizado, porém, com um mínimo de esforço possível. Tudo isso fazia com que a carruagem fizesse muito barulho. O galope dos cavalos levantava muita poeira e a máquina de vapor deixava um rastro de nuvem por onde passava. O cocheiro controlava a velocidade do vapor e dos cavalos. Para enxergar melhor a estrada e a floresta, usava óculos especiais arredondados e com proteção para não entrar poeira em seus olhos. Isso proporcionava mais nitidez para verificar pequenos movimentos à sua frente, tomando todo o cuidado para não cair em nenhuma emboscada com os Tinichis, ladrões que viviam na floresta. Verdadeiros nômades. Os Tinichis assaltavam os líderes dos impérios vizinhos para sustentar o seu povo e comprar armas.
Armas não eram difíceis de conseguir. Um reino distante fornecia armas aos nômades para causar o terror, e depois que o próprio reino que deu as armas oferecia proteção e conseguia um bom tratado de terras, ele expulsava os nômades que acabam se instalando em outro local para  aterrorizar outro reino.
O cocheiro via cinco homens e uma mulher com tochas nas mãos, fazendo sinal para parar. Certamente eram os Tinichis. Ao invés de diminuir a velocidade, ele acelerou mais fazendo com que os nômades escondidos acionassem os seus equipamentos cheios de engrenagem para disparar ganchos, cujo intuito era de atravessar as rodas da carruagem fazendo-a parar. O cocheiro conhecia esta arma e estava preparado. Acionou um botão para que cada roda fosse protegida com uma blindagem de ferro fazendo com que os ganchos rebatessem na couraça, atingindo alguns nômades na cabeça, deixando-os inconscientes. 
O cocheiro diminuiu a velocidade e desceu armado com uma besta. Atirou várias vezes, assustando os nômades que correram para a floresta. A mulher tentou fugir, mas tropeçou e ficou no chão jogando pedras, porém, ele agarrou seus cabelos e a arrastou até chegar na carruagem, abriu a parte de traz, a mulher viu que não havia nenhuma janela e tinha apenas uma caixa grande e escura.  A mulher gritou, mas foi trancada dentro da carruagem.
O cocheiro tirou o seu chapéu e bateu na sua calça para tirar o excesso de poeira. Logo em seguida, olhou para frente e avistou o castelo. Ele sorriu e continuou seu caminho. Tudo estava indo bem.
O castelo era da Bruxa Nolaine, dona de um império que continha milhares de reinos dominados por sua cruel guarda de guerreiros carniceiros e ferozes. Apenas um reino não a temia. O reino de Lavaska. Reino que ela desejava conquistar a todo custo, mas com o tratado feito por seu falecido pai, ela não podia fazer nada.
O tratado era bem objetivo. Jamais atacar o reino de Lavaska. Sempre dar apoio e abrigo ao povo deste reino.
A Bruxa Nolaine sabia muito bem porque esse tratado fora criado. A sua irmã gêmea Delaine apaixonou-se e casou-se com o Príncipe Phanty de Lavaska, um vampiro que vivia sozinho em seu reino. Como prova de aliança, seu pai assinou o tratado que proibia qualquer ameaça. Lavaska seria um local intocável.
Dentro do castelo, Nolaine gritava de ódio.
– Maldito seja meu pai! Por causa desse tratado não podemos atacar o castelo do vampiro!
O conselheiro Manth estava de pé, imponente e calmo, ele era uma pessoa fria, calculista e muito irônica.
– Se a sua irmã ainda estivesse viva, poderíamos tomar um chá e conversar sobre suas crises!
– Cale essa boca! Ela está morta! O vampiro está novamente sozinho e não aceitou nenhum dos meus pedidos de compra daquele reino.
Manth escutou uma discussão que vinha do portão do castelo. Ele foi até a janela e depois de alguns segundos disse:
– Venha, Nolaine! Acho que temos visitas!
Quando os dois seguiam rumo ao portão, eles ouviram mais claramente o que os guardas diziam.
– Tire esta carruagem daqui, cocheiro, ou vamos destruí-la!
– Não sejam curiosos, cavaleiros! Esta encomenda é para a rainha Nolaine e mais ninguém!
– Então estou aqui! Guardas! Eu mesma cuido disso!
O cocheiro entregou para Nolaine uma carta lacrada com o selo feito com cera do reino Lavaska. Ela quebrou o selo, abriu a carta, leu e depois deu um sorriso.
– Tudo bem, cocheiro! Pode me entregar a encomenda.
– As palavras “mágicas”, por favor! Como deve saber os vampiros só entram quando convidados.
– É mesmo! Perdoe-me, seu medíocre dos infernos! Vocês estão convidados a entrar!
– Obrigado, Sua Alteza! – o cocheiro agradeceu mostrando os dedos médios para os guardas do portão. – Me ajudem a tirar a caixa para Sua Alteza! Rápido!
Eles foram até a porta na parte de trás da carruagem. O cocheiro abriu e a mulher caiu no chão. Estava morta. Tão magra que os ossos ficavam bem salientes ao corpo. Os dois furos no pescoço da mulher já denunciavam quem a matou e o que estava naquela caixa.
Todos os guardas mantinham os olhos bem abertos. Olhavam-se e perguntavam como poderiam deixar aquela criatura entrar no castelo.
Mesmo enraivecidos, nervosos e assustados, os guardas ajudaram e um deles comentou:
– Você trouxe um demônio para nosso reino! – disse o soldado com ódio.
– Ele é um morto que vive! – disse o cocheiro rindo.
O soldado ficou paralisado por alguns instantes e o outro soldado respondeu:
– Um vampiro! Vamos dar um fim nele!
O conselheiro interrompeu.
– Vocês ouviram a rainha! Levem a caixa para os aposentos de hóspedes! Ele deve ser tratado como um rei. E sejam rápidos! Isso não pode ficar muito tempo recebendo a luz do Sol.
Assim que os guardas chegaram ao aposento, colocaram a caixa no chão e um deles tentou abrir.
– Que diabos está fazendo?
– Quero ver o vampiro!
– Não seja estúpido! Ele vai agarrar o seu pescoço!
– Se ele fizer isso eu enfio a lança no seu peito... Não quero deixar esta criatura em nosso reino andando livremente. Pode pegar nossas mulheres, nossos filhos. Vamos! Vamos matar a criatura?
– Cale a boca! Se a rainha ouvir, seremos mortos... Está bem, então. Abra logo! Eu enfio a lança. 
Depois de algum tempo de esforço, o soldado abriu e saiu um gato preto de dentro da caixa, dando um susto enorme nos guardas que acabaram deixando a caixa no chão e saíram em seguida.
A noite chegou e o vampiro despertou. Ele olhou para os lados e viu uma mulher esperando na porta.
– Sua Alteza pediu para que o senhor seja cuidado como um rei e estou ao seu serviço. Ela também pediu para que o levasse até o salão principal do castelo onde o estarão esperando.
O vampiro se levantou e se aproximou da mulher. Ele sentiu o cheio do seu medo.
– Sem dúvida você estará ao meu serviço.
– D-do que está falando?
Mas já era tarde. O vampiro mordeu o seu pescoço
No salão principal, Nolaine aguardava sentada na sua poltrona imperial e bem ao seu lado, Manth, que estava de pé, olhando para as escadas.
– Quando será que aquele ser desprezível irá acordar?
– Tenha paciência, rainha! Se tudo der certo, em menos de uma semana todos os reinos se curvarão em nome de Nolaine. Esta carta que fiz é um tratado que passa todo o reino do vampiro para sua alteza. Depois que ele assinar, poderemos fazer o que quisermos, inclusive mat...
Antes que Manth terminasse a frase, um gato preto pulou em sua mão, segurou a carta com a boca e correu para as escadas.
– Que gato é esse? – perguntou Manth atônito.
– Um gato? Eu odeio gatos! Coloquem ele pra fora do meu reino! 
Antes que Manth tomasse uma providência, o gato pulou da escada para os braços do vampiro que estava descendo.
– Boa Noite! Perdoem-me pelo Noturno, meu gato. Às vezes ele é tão imprevisível.
– Não se incomode, Phanty, eu amo gatos.
– Tanto quanto vampiros! – disse Manth.
Nolaine olhou e sorriu ironicamente para Manth e depois retornou a conversa.
O vampiro leu a carta que o gato trouxera e concluiu.
– Vejo que não perdeu tempo, Nolaine.
– Você sabe como são as coisas! Para que esperar? O tempo é tão precioso! Mas sente-se! Vamos servir o jantar.
– Não, obrigado! Eu acabei de... Quero dizer... No momento prefiro conversar sobre você.
– Mas... Em que posso ajudar? Gostaria de assinar o tratado enquanto falamos?
Manth molhou a pena na tinta e passou para o vampiro, mas ele levantou a mão em sinal de espera. O gato pulou dos seus braços e começou a andar na mesa cheirando toda a comida e isso deixou Nolaine nervosa e agitada. Ela se levantou da cadeira e começou a andar pelo salão.
– Como sobreviveu? Quero dizer... Você e a sua irmã tinham a mesma doença. Como você não morreu?
– Mas que pergunta mais pessoal, Phanty. Minha irmã talvez fosse mais fraca. Anêmica. Isso deve ter acelerado a sua doença. Afinal, um vampiro precisa de sangue. Quem sabe você não tenha sugado um pouco a mais?
– Eu a amava. Nunca tirei uma gota de sangue dela. Existem muitos animais na floresta. Mas lhe ofereci a vida eterna. Ela recusou. Eu implorei, porém respeitei. Era a sua escolha. Antes de morrer, ela me disse que você seria a solução para nos unirmos novamente. Por isso darei meu reino para você em troca desta... solução.
– Isso é absurdo! Eu não sei o que ela pensou, mas não tenho este poder. Bom, agora assine este tratado e vamos falar do que interessa.
– Eu tenho um pedido.
– Adoro pedidos.
– Fique comigo esta noite. Estou sozinho por muitos anos. E você se parece muito com Delaine.
Nolaine olhou para Manth, piscou e sorriu.
– É claro, meu querido vampiro. Esta noite você terá tudo que deseja. Pode ir até o seu quarto. Em breve estarei lá.
Enquanto o vampiro subia as escadas, Nolaine conversava com Manth.
– Coloque dois guardas na porta do quarto e faça o que planejamos. Eu cuidarei do vampiro.
Phanty esperou a visita de Nolaine em seus aposentos. Olhou para a janela e chamou:
– Noturno!
O gato preto pulou da sacada da janela para dentro do quarto e passou várias vezes entre suas pernas.
– Fique debaixo da cama!
Noturno obedeceu e poucos segundos depois Nolaine entrou no quarto e viu o Vampiro deitado, esperando a sua chegada.
– Então, meu querido vampiro. Acha que me pareço muito com minha irmã ou será que sou melhor?
Nolaine deitou ao lado do vampiro e eles trocaram carícias enquanto falavam.
– Você é tão linda quanto ela. Seus olhos, sua boca, sua pele macia...
Nolaine beijou o vampiro e se abraçaram. As roupas foram jogadas por todo o quarto. Os beijos e os toques aqueceram todo o ambiente. Ela implorou por mais e o vampiro atendeu o seu pedido dando leves mordidas por todo o seu corpo. Ela gritava extasiada com os toques do vampiro, que segurou seus cabelos com força deixando o pescoço mais à vista. A fome do vampiro pelo sangue quente de Nolaine quase fez com que se esquecesse do real motivo dele estar ali.
O vampiro segurou as mãos de Nolaine e gritou:
– Noturno!
O gato subiu na cama carregando algumas peças de roupas com a boca e ela gritou.
– Mas o que é isso?
– Sinto muito, Nolaine, mas os planos mudaram.
Antes que ela pudesse falar, o vampiro rasgou algumas roupas e a amarrou na cama.
– Falta pouco para amanhecer e hoje é o dia do eclipse solar. Hoje é o dia que terei Delaine de volta.
Nolaine olhou desesperada. Tentou se livrar das amarras, mas não conseguiu.
– Quando Delaine estava para morrer, ela fez um pacto com a deusa Lua que guardou a sua alma até próximo eclipse. Quando me mandou para este quarto, eu percebi que era um quarto que tem teto solar e você sabia que faltava pouco para amanhecer. Eu deixei você seguir com seu plano, pois eu sabia sobre o eclipse que aconteceria de manhã e você não.
O vampiro olhou para a janela e viu o exército de Nolaine saindo do castelo.
– Acredito que seu plano era me deter aqui enquanto seu exército ia tomar o meu castelo.
O vampiro tateou as paredes até chegar perto da porta. Olhou para Nolaine e sorriu. Em seguida, bateu com força na parede. Atravessando as suas mãos com velocidade, puxa um dos soldados para dentro do quarto, quebrando o seu pescoço. O outro soldado olhou pelo buraco da parede tentando achar o vampiro, mas o gato pulou em sua direção e arranhou todo seu rosto, cegando-o. A dor era tanta que ao correr desesperado, bateu a sua cabeça na parede e desmaiou.
– Logo o Sol vai aparecer e ele será coberto pela lua...
Phanty puxou uma alavanca ao lado da cama e o teto começou a se abrir. Ele tentou se proteger da luz do Sol juntando todos os móveis do local.
Mais guardas estavam chegando. Alguns estavam armados com flechas e o vampiro tentava se proteger usando as madeiras dos móveis. A Lua estava começando a aparecer na frente do Sol.
Os soldados tentavam arrombar a porta. O vampiro sabia que se eles entrassem tudo estaria acabado. Saindo do seu esconderijo ele correu para segurar a porta. Mas as flechas atravessaram e acertaram o seu peito em cheio.
Phanty tenta se livrar, mas sabia que fora ferido mortalmente.
Ele olhou para a cama, mas a claridade ainda estava muito forte. Os raios do Sol estavam atingindo o seu corpo. Estava começando a queimar.
Os soldados ficaram empurrando a porta até que conseguiram arrombá-la. Arrastaram o vampiro que estava perdendo os sentidos.
Quando a Lua cobriu o Sol, os soldados desamarraram Nolaine. Phanty estava sem forças. Suas pernas estavam dobradas, as flechas o mantinham em pé e preso a porta.
Os soldados carregaram Nolaine para fora do quarto, mas antes de sair, ela acordou e se livrou rapidamente deles, empurrando-os para fora do quarto e, com um encanto, uma parede de fogo apareceu na entrada evitando que os guardas entrassem.
A bruxa olhou para o vampiro e fez alguns gestos, as flechas foram arrancadas do seu corpo, deixando-o cair no chão. Ela disse mais alguns encantamentos e a ferida do vampiro se fechou.
Phanty abriu os olhos e viu a bruxa bem na sua frente.
– Delaine?
Ela correu para os seus braços e se beijaram por um tempo muito curto. O vampiro olhou para o eclipse e disse:
– Vamos sair daqui! Rápido! 
O vampiro pegou a bruxa no colo, pularam pela janela e flutuaram até chegar no chão. O gato Noturno estava esperando por eles. A bruxa o pegou no colo e correram em direção aos cavalos.
– Não vai adiantar. Logo o Sol vai aparecer.
– Eu cuido do Sol. Você cuida deles.
Ela apontou para o portão do castelo que estava guardado por muitos soldados.
O vampiro pegou a sua espada e lutou bravamente com cada um.  Ele viu que o Sol estava forte, mas não estava queimando. Quando derrotou o último soldado, viu que Delaine estava usando seus poderes para protegê-lo.
– Estava sentindo saudades dos seus poderes.
– Só dos poderes?
Ele sorriu e saíram do castelo.
Phanty contou para Delaine que os soldados estavam indo para o seu castelo, que era parte do plano para tomar o reino vizinho.
– E como vamos lutar contra um exército?
– O que Nolaine não sabia era que antes de eu vir para cá, pedi para que meu castelo fosse protegido pelos soldados dos reinos vizinhos e isso iria derrotar o exercito dela. Mas algo me intriga. Como Nolaine sobreviveu à doença? Vocês duas tinham o mesmo problema e o corpo dela sobreviveu.
Delaine aponta para frente. O vampiro fica impressionado com a quantidade de soldados que estava a sua frente.
Um deles se aproxima e seu rosto não era de um homem, mas de um demônio que ri e diz:
– Vim pegar o que é meu! – apontado para Delaine.
– Do que está falando, demônio?! – o vampiro diz descendo do cavalo e colocando a mão em sua espada.
– Isso não é da sua conta, vampiro! Esta mulher fez um pacto comigo! Eu a curava de sua doença e em troca eu teria a sua alma!
Delaine desce do seu cavalo e se abraça a Panthy.
O vampiro olha para o exército de demônios, levanta a sua espada e diz:
Vem buscar!

E a aventura tem início.




Abraços e obrigado pela leitura :-)
Adriano Siqueira
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